História
Lufrei, situada na margem esquerda do rio Tâmega, possui uma rica história de ocupação humana desde os períodos neolítico e calcolítico. A sua localização, caracterizada por uma topografia acentuada, abundância de água, exposição solar favorável e barreiras naturais, facilitou a fixação das primeiras comunidades humanas.
Aqui foram encontrados diversos artefactos que indicam a existência de habitações em locais planos e estruturas habitacionais simples, durante a Idade do Bronze. Na Época Romana, Lufrei abrigou um estabelecimento romano, possivelmente uma villae ou vicus, localizado próximo à antiga Via do Marão. Esta presença romana foi significativa ao ponto de influenciar o nome atual da freguesia, derivado do nome de um rico senhor romano, Leodofredo.
Ao longo da Idade Média, com a formação do Condado Portucalense, a fundação do Mosteiro do Divino Salvador de Lufrei trouxe um novo impulso à organização do território. Este mosteiro, pertencente à Ordem de São Bento, consolidou-se na independência de Portugal e participou ativamente na vida religiosa e social da região.
Com o fim do período romano e a chegada dos Suevos e Visigodos, as comunidades locais continuaram a prosperar, dedicando-se à agricultura e pastorícia. O Mosteiro de Lufrei, fundado pelos ascendentes de Gonçalo João da Pedreira, tornou-se um importante centro religioso e administrativo, influenciando a vida local até à sua extinção em meados do século XV. Hoje, o monumento integra a Rota do Românico.
Na Época Moderna, Lufrei manteve o seu caráter rural, com pequenas propriedades agrícolas e aglomerados populacionais integrados no Concelho de Gestaço. Durante os séculos XVI a XVIII, a agricultura e a pastorícia continuaram a ser as principais atividades económicas.
A Época Contemporânea foi marcada pela invasão napoleónica em 1809, durante a Defesa da Ponte de Amarante, em que Lufrei desempenhou um papel estratégico. Nos séculos XIX e XX, a freguesia manteve o seu carácter rural, com atividades ligadas à agropecuária e à exploração florestal.
Nas últimas duas décadas do século XX, Lufrei experimentou um aumento populacional significativo, impulsionado pela proximidade à cidade de Amarante e às principais vias rodoviárias. Este crescimento trouxe mudanças no urbanismo, ordenamento do território e novas atividades económicas dos setores secundário e terciário.
Apesar de transformações havidas, Lufrei preserva ainda hoje a sua identidade e memória coletiva que remontam aos primórdios da história da humanidade.